the Blender Velvets

O Blender como editor de vídeo

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Introdução

O Blender é famoso por ser um software de criação de animações em 3D. Com vários anos de estrada e cada vez mais maduro, o número de estúdios ao redor do mundo que passaram a usar a ferramenta como base para suas produções tem aumentado. Exemplos disso não faltam e, de você quer dois links para ter uma ideia, veja os curta metragens feitos pelos Projetos Abertos da Blender Foundation e os Demo Reels de animações, seriados e propagandas feitas com o programa.

O que pouca gente sabe é que o Blender é tão bem desenvolvido e aberto – não apenas por ser software livre (FOSS), mas por ser acessível via API – que pôde ser adaptado para edição complexa de vídeos 2D. Suas funcionalidades se equiparam à de programas como Final Cut e Adobe Premiere. Mais do que isso, é um aplicativo que roda em qualquer sistema operacional sem sequer ter de ser instalado.

As pessoas e as organizações sabem que o vídeo é uma forma poderosa de comunicação. O que talvez não saibam é que a ferramenta livre para fazê-los já existe. A série de complementos Blender Velvets foi criada levando em consideração as necessidades de quem edita vídeo, implementando funcionalidades não existentes ou melhorando as que já existem. O objetivo é ajudar a tornar o Blender a ferramenta de escolha de videoativistas, produtores independentes e mesmo projetos educacionais.

 

Baixar o Blender

Vantagens

Multiplataforma O Blender roda nos sistemas operacionais Linux, MacOS e Windows. O mesmo vale para os complementos (addons) do programa.
Portátil O Blender não precisa ser instalado, pois funciona como ‘bundle’. Ou seja, tudo o que é preciso para rodá-lo já vem na pasta baixada junto com o programa. Junto ao fato de ser software livre (FOSS), isso o torna a ferramenta portátil perfeita, sendo possível montar um ambiente de edição de vídeo onde você estiver, em qualquer máquina, em apenas alguns minutos. Um download típico do Blender tem cerca de 75MB, ocupando apenas 210MB em disco após descompactado.
Confiável O Blender é um programa estável e confiável para edição de vídeos em 2D e possui tudo o que se espera de um editor de vídeo. É possível misturar gravações feitas com câmeras diferentes, fotos e imagens estáticas, inserir animações 3D no projeto, usar trilhas de áudio externas etc. Além disso, o programa foi testado com sucesso como editor de vídeo em alguns projetos de edição complexos, com prazos definidos [1][2][3] – ajude a ampliar estes exemplos!
Edição em
proxies
O Blender permite criar versões com resolução mais baixa dos vídeos (proxies), para editar usando menos recursos e gerar renders intermediários mais rápidos. Esta função é especialmente útil para projetos mais longos, que passam por diversas alterações de linha narrativa, e documentários, que costumam ter grandes volumes de material bruto para decupagem. A automatização da geração de proxies pode ser feita com o complemento Velvet Revolver.
Extenso mapa
de atalhos
Atalhos de teclado ajudam a acelerar bastante o processo de edição. Com o Blender, é possível configurar atalhos para praticamente tudo. O complemento Velvet Goldmine com o mapa de atalhos Velvet Shortcuts amplia as funções e atalhos existentes, deixando o programa mais próximo dos editores de vídeo mais usados.
Suíte completa O Blender é o programa livre (FOSS) mais próximo que temos de uma suíte completa para edição de vídeo. Ele edita vídeos 2D; faz animações 3D; possibilita o tratamento simples de imagens na própria interface de edição 2D, ou complexas, na interface de Compositing Nodes; faz tarefas avançadas como rastreamento de câmera (camera tracking), estabilização de gravações e máscaras animadas para tratamento de imagem.
Integração
com DAW
Os programas DAW, ou Digital Audio Workstation, são dedicados à manipulação de áudio, sendo os mais indicados para finalizá-los. O complemento Blue Velvet permite exportar os cortes de áudio na linha do tempo do Blender para o Ardour (Linux, MacOS), hoje o principal software livre (FOSS) para tratamento de som.
Expansível O Blender possui uma API acessível em linguagem Python, tornando-o incrivelmente expansível. Se o programa não faz o que você quer, é possível programá-lo de forma independente, sem depender da agenda do núcleo central de desenvolvimento e sem ser necessário mexer diretamente no código-fonte do software. Abrir a API dos aplicativos tem sido uma tendência em ferramentas bem sucedidas. No caso do Blender, isso tem sido feito de forma excepcional, permitindo o surgimento de diversas funcionalidades extras, desenvolvidas pela própria comunidade. Os Blender Velvets são apenas mais um exemplo em uma variedade de complementos.
Desenvolvimento
ativo e cíclico
O Blender possui um histórico constante e confiável de desenvolvimento. Uma nova versão do programa costuma sair a cada 6 meses, dentro de um plano de desenvolvimento claro e público, descrito na página do programa. Isso é possível não só por competência e seriedade dos mantenedores, mas pela existência de uma comunidade muito ativa e pela doação de pessoas que usam ou gostam do projeto como um todo. Se você é uma dessas pessoas, considere com carinho doar uma grana para a Blender Foundation. Por que esperar? Faça isso agora!

Limitações

FPS dos vídeos
têm de ser iguais
Hoje, a principal limitação do Blender é não ter suporte a interpolação para compensação de quadros. Isso significa que não é possível misturar em um mesmo projeto vídeos com diferentes taxa de quadros por segundo (FPS) sem que parte deles perca a sincronia com o áudio. Existem dois modos de lidar com este problema. O primeiro é, sabendo desta limitação, fixar uma taxa de quadros para todo o projeto e avisar a quem for fazer as gravações para configurar todas as câmeras para usar o mesmo FPS. Como nem sempre isso será possível, e como projetos complexos tendem a misturar diferentes fontes de mídia (portanto, com FPS diferentes), quase sempre será necessário executar um segundo passo: converter os vídeos cujos FPS sejam diferentes para a taxa de quadros do projeto. Use o complemento Velvet Revolver para converter todas as mídias dentro de uma pasta, automatizando o processo.
Poucos recursos
para áudio
A segunda principal limitação do Blender para edição de vídeo está relacionada ao áudio. Embora suficientes para projetos mais simples, são poucos os recursos de áudio disponíveis. É possível fazer pan ou modificar os níveis de volume, mas não existe, por exemplo, uma forma interna de monitorar os níveis de som. Esta tarefa requer usar o programa Jack para ligar o Blender a algum software de monitoração, como o jkmeter ou o jack_mixer (vistos nesta imagem). Não é difícil, mas é um passo a mais. Para projetos nos quais o tratamento de som deve ser mais sofisticado, use o complemento Blue Velvet e exporte os cortes do Blender diretamente para o Ardour, que é o software apropriado para isso.
Nem tudo é
super automático
Existe uma limitação que pode surgir, em especial para quem usa outros editores avançados de vídeo. Nem tudo no Blender será tão automático como em outros programas. Final Cut e After Effects, por exemplo, têm anos de desenvolvimento e movimentam quantias milionárias – por isso, seguramente farão algumas tarefas de forma mais automática ou simplificada. Para contornar essa limitação, planeje-se e… invista. Saiba o que você quer e tente encontrar alguém que possa implantar o que você tem em mente. Problemas pedem respostas criativas e, quando estamos falando de respostas em código aberto, a solução de uma pessoa pode resolver o problema de muitas outras. Os Blender Velvets surgiram exatamente assim, com o objetivo de melhorar o Blender como editor de vídeo usando as forças do próprio programa.